Até que Ele venha
A beleza da Eternidade no dia que se chama hoje
O burburinho, aquele som de conversas esparsas, com pequenos grupos de pessoas reunidos. Numa mesa no corredor, servem café, chá, bolachas e balas à vontade. Uma porta de vidro fosco, grande e aberta à direita, leva à Sala Orquídea. Uma faixa azul no vidro traz escrito: Velar: cuidado e acolhimento.
Lá dentro, poltronas pretas e confortáveis, bem organizadas, acolhem algumas pessoas, enquanto outras permanecem em pé.
Entre risos, conversas e silêncios, a tristeza marca presença. Já reparou que o luto é tipo um camaleão? Eu mesmo passo por uma fase de humor duvidoso, alternando silêncio, choro e até essa escrita, que me ajuda a organizar os sentimentos.
Próximo ao caixão, a vó está em pé, elegante como sempre. Abraço-a, oferecendo condolências. Em seguida, ela acaricia a testa do vô e afirma:
“Olha como ele está bonito! Ele é lindo!”
Achei muito interessante o conceito de beleza estar atrelado a esse contexto. Realmente, nosso senso estético perpassa a totalidade da vida. Isso mostra, na prática, como todos os aspectos da existência se interrelacionam e não funcionam isoladamente.
Sim, até no luto há um tipo de beleza.
Pense comigo:
Se cremos na ressurreição, se temos o Espírito Santo como garantia de que Jesus vai voltar, se a Eternidade é uma realidade, então a morte também aponta para tudo isso. O último inimigo a ser vencido desvela a beleza da vitória final. O choro da despedida rega a semente da esperança do reencontro. O horror da cruz de Cristo é o caminho para o lindo domingo da ressurreição. E assim Deus preenche e cura as fissuras do nosso coração e da realidade com sua própria presença até o dia perfeito chegar.
Ps: texto dedicado ao vô Sérgio (que me adotou como neto).


